26/03/2013

O feminismo nas relações internacionais / Grazieli Pereira

Em 1960, grandes avanços revolucionaram essa época. Com o aumento da prosperidade material e da tecnológica um novo cenário se constituiu. Durante a Segunda Guerra Mundial houve uma grande inserção da mulher no mercado de trabalho, devido à falta de mão de obra masculina.

A partir daí, o movimento surge um movimento feminista na Inglaterra e nos Estados Unidos, que buscava a igualdade no mercado de trabalho e o direito a sexualidade. No mesmo ano é criada a pílula anticoncepcional. é partir daí que as mulheres tinham uma "libertação", poderiam decidir sobre a natalidade em suas vidas. E também rompe barreiras à medida que traz a questão do sexo fora do casamento.

Nesse momento o papel da mulher é questionado, com as publicações de Simone Beauvoir "O Segundo Sexo", e Betty Friedman "A Mística Feminina" o movimento feminino aumenta sua discussão. O movimento feminista de 1960 a 1970 foi um movimento político juntamente com outros representantes pela luta dos direitos civis da época. Este movimento lutava contra a violência sexista e igualdade dos direitos das mulheres. Não havia uma organização central e não era unificado, mas constituía-se de várias frentes e sempre apresentou além de pressão política grandes manifestações públicas. Olympe de Gouges redigiu um projeto de Declaração dos Direitos da Mulher, inspirada nas ideias do Marquês de Condorcet.

Em 1837 foi fundado nos Estados Unidos a Universidade feminina de Holyoke e, neste mesmo ano, realizou-se em New York uma Convenção de Mulheres que se opunham à escravidão.

No Reino Unido, Mary Wollstonecraft publicou "A Vindication of the Rights of Women", (1792), reinvindicação dos Direitos das Mulheres, que propunha para as mulheres a mesma oportunidade de educação e trabalho.

No século XIX, cria-se um comitê do sufrágio feminino com a ajuda de Barbara Leigh Smith e John Stuart Mill. Esse mesmo comitê em 1866 apresenta ao Parlamento um projeto igualitário que foi rejeitado.

Em 1922 Berta Lutz, funda a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. No Brasil a luta pelo sufrágio feminino dura 22 anos, sendo aceita em 1.932 pelo Presidente Getúlio Vargas.

Na revolução russa (1917), deu-se o direito de voto às mulheres. Assim o voto foi aceito em outros países como Nova Zelândia 1893, Austrália 1902, Finlândia 1906, Noruega 1913, Equador 1929. Assim em 1950 mais de cem nações haviam aceitado o sufrágio feminino.

Na Conferência de Pequim que se realizou de 4 a 15 de Setembro de 1995; 180 países se reuniram neste encontro promovido pela ONU para tratar das questões feministas.

Dentro das Relações Internacionais as visões sobre o feminismo variam, segundo Christine Sylvester " há um grupo de estudiosos das Relações Internacionais que nega a relevância da abordagem feminista e afirma que a categoria de gênero não apresenta nenhuma utilidade para seu estudo". Outros autores posteriores citam o feminismo somente como "notas", sem dar muita importância a sua influência nas Relações Internacionais, alegando que este movimento sofreria de dissidência.

Contudo no cenário atual, podemos ver a forte influência feminina dentro das Relações Internacionais. Isso traz um debate sobre o desenvolvimento do feminismo nos dias atuais, sempre fonte de grande polêmica; o feminismo dentro da sociedade foi divisor de águas dentre a igualdade entre os sexos, a mulher sentiu a necessidade de ter voz, de ter ideias reconhecidas, de ver seus direitos respeitados.

Porém esses interesses foram de encontro a uma sociedade machista que não estava disposta a abrir mão de sua "senhora do lar" e da figura maternal cujo qual ela representava dentro do âmbito familiar.

Assim com o feminismo a imagem da mulher se fortificou mostrando que ela também podia ser forte e buscar se fazer capaz de reproduzir o avanço masculino. E de fato, a mulher alcançou seu ponto alto desbravando o mundo de novas formas, saiu da figura materna para a figura corporativa, passou a administrar empresas, a casa, a educação dos filhos, e a atenção ao marido sendo uma nova mulher, buscando e alcançando lugares nunca imaginados há cinquenta anos atrás.

Hoje a mulher é a maioria nos cursos superiores, sua renda familiar torna-se tão indispensável quando a do marido, e hoje ela chega a cargos de presidência corporativa e a chefe de estado. Por exemplo, como Dilma Rousseff, presidente do Brasil, Helle Thorning Schmidt, presidente da Dinamarca, Cristina Kirchner, chefe de estado argentina, Christine Legrand, que lidera o FMI, a ex-secretária de estado dos EUA, Hillary Clinton, e a chanceler alemã, Angela Merkel.

E ainda mulheres que entraram para a história como Frida Khalo, Margareth Thatcher, Eva Perón, que mudaram o mundo da política com sua força e sua determinação. Elas fizeram o mundo olhá-las com outra forma e hoje cada vez mais elas assumem postos dentro da política internacional. Mas pergunta que fica é: O que podemos esperar desta era feminista na política internacional?

A condição de força e valia para as Relações Internacionais provam que as mulheres estão aptas a participarem de cúpulas ao lado dos homens. São pessoas fortes e preparadas que se encaixam e deixam para segundo plano os sentimentos. Ainda sim, mesmo determinadas, ainda existem mulheres injustiçadas. Fenômenos sociais as tornam vítimas onde é possível perceber que a sociedade organizada em muitos países não conseguem lidar com o sentimento de igualdade.

Na ONU, a agência UN Women, que tenta trazer a igualdade e respeito aos Direitos Humanos Femininos. Estes direitos que foram violados em guerras, mostrando que as mulheres são vítimas de estupros e eugênia, que o ódio de raça e religião, especialmente voltado para a figura feminina. Assim se faz necessário uma proteção especial.


A Convenção sobre Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher- CEDAW sigla em inglês-, busca lutar pelas mulheres desde 18 de Dezembro de 1979. Em 22 de Dezembro de 2000, passou a vigorar o Protocolo Adicional à Convenção da Mulher, para que pudesse ser feita uma fiscalização mais efetiva, assim este Protocolo não permite reservas.

Contudo, o cenário da mulher hoje ainda é muito obscuro, várias mulheres, em várias partes do mundo, sofrem abuso e violência todos os dias. Isto mostra como esta ainda é uma luta válida pelos direitos das mulheres, de ser quem elas queiram ser.

As guerras civis, pobreza, machismo e dominação acabam tornando-se um fardo muito pesado para as mulheres nos dias de hoje, este quadro merece uma atenção especial. As Relações Internacionais buscam a melhoria das relações entre as nações, o aumento da força feminina neste momento é imprescindível, para a mudança do quadro feminino. Sua luta hoje mudou, não é mais sobre o sufrágio feminino, sobre sua sexualidade, sobre o direito à educação e ao trabalho justo.

O feminismo hoje luta contra a violência sexista ao que muitas mulheres vivem diariamente. Os números são preocupantes e foi objeto de vários estudos recentes. Por exemplo, nos Estados Unidos, 8 em 10 mulheres já foram estupradas, inclusive por seus parceiros. No Egito as mulheres são estupradas em lugares públicos. Não há proteção. Cerca de 83% admitem terem sido abusadas e 62% dos homens admitem já terem participado de algum tipo de abuso. Mais, no Irã as mulheres sofrem preconceito e ainda sofrem restrições para ingressar livremente na política.

Nessa condição, o tratamento às mulheres ainda deve ser revisto. Mas o que se espera hoje? Qual é o papel na sociedade atual? Defender os direitos das mulheres não ser totalmente feminista. Não está em questão isso, pois há muito a se fazer. Admitir que todas merecem seu respeito no mundo na condição de ser humano é um direito básico. Mudar a visão da sociedade para ela é uma necessidade, este é um processo lento, construído dia após dia.

Mas ainda existe a esperança, porque de 1960 até hoje, muitas batalhas foram ganhas, e ainda há muitas mais para vencer, porém o tempo privilegia o persistente e ajuda a preencher as lacunas.


Referências:
NOGUEIRA e MESSARI, Jõao e Nizar; (2005); Teoria das Relações Internacionais;Rio de Janeiro; Elsevier Editora Ltda.
SOUZA e FARIAS;Mércia e Déborah; "Os Direitos Humanos das Mulheres Sob o Olhar das Nações Unidas"; http://institutofa7.com.br/recursos/imagens/File/direito/ic/iv_encontro/direitoshumanosdasmulheres.pdf;12 páginas.
FEMINISMO,Movimento;http://www.brasil.gov.br/secoes/mulher/atuacao-feminina/feminismo-pela-igualdade-dos-direitos. Acessado em 07/09/2012.
SOUSA,Rainer;http://www.mundoeducacao.com.br/historiageral/%20movimento-feminista.htm. Acessado em 07/09/2012.
FEMINISMO;http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/feminismo/feminismo.php. Acessado em 07/09/2012.
FERNANDES,Sandro(2012); Revolução no Egito Esconde Preconceito e Abusos Contra as Mulheres;http://operamundi.uol.com.br/conteudo/reportagens/23294/revolucao+no+egito+esconde+preconceito+e+abusos+contra+mulheres.shtml. Acesso em: 07/09/2012.

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