Sérgio Pereira

Sergio Pereira tem trinta anos dedicados à presença brasileira no mercado mundial através de gestão de negócios, atuação acadêmica e formação de opinião. LinkedIn: linkedin.com/in/ankonsergio / E-mail: [email protected]

27/07/2018

São só dados e fatos

Em 1987 uma campanha publicitária do jornal A Folha de São Paulo mostrava um homem que havia pego uma nação destruída, recuperado sua economia e devolvido orgulho ao seu povo. Que havia reduzido o número de desempregados de 6 milhões para 900 mil pessoas. Que havia dobrado a renda per capita e aumentado o PIB em 106%. Que havia reduzido uma hiperinflação a 25% ao ano. Esse homem era um amante das artes.

Note que é somente uma apresentação de fatos. Essa foi uma das campanhas mais bem sucedidas da história da publicidade brasileira e arrebanhou prêmios internacionais.

Vamos apresentar fatos referentes a países. O primeiro tem mais de 10 milhões de empresas formais, 500 mil indústrias e possui um dos 10 mercados mais atrativos do mundo (em tamanho). Além disso, 3/4 das maiores empresas globais optaram por manter atividades nesse país. Dono de uma população jovem, dinâmica e empreendedora, esse país gera executivos respeitados no mundo todo por sua flexibilidade, resiliência e criatividade. Com abundantes recursos naturais, esse país está entre as 10 maiores economias do mundo. A diplomacia dessa nação é internacionalmente respeitada há décadas pela excelência do seu corpo de profissionais.

Outro país ocupa o penúltimo lugar (numa lista de 137) no peso da burocracia oficial sobre os negócios, possui infraestrutura decadente, juros extorsivos e sérios problemas de violência social. As empresas localizadas nesse país sofrem com altas taxações e são atropeladas por um caótico sistema tributário e fiscal. Nesse país o índice de integração com o mundo é baixíssimo e somente 5% dos seus habitantes conseguem se comunicar em inglês. Apesar de ter plenas condições industriais, esse país opta por enviar matéria prima ao exterior e importar produtos manufaturados.  Nesse país empresários locais insistem em ignorar o potencial do sistema mundial de comércio e mantêm-se firmes na estratégia de negócios locais. A diplomacia não consegue articular, negociar e avançar com acordos que melhorem a inserção internacional.

Esses dois países tão diferentes entre si ocupam o mesmo lugar no espaço. Todos os dados acima se referem ao Brasil do ano 2018. Mas também se referem ao Brasil de 1989. Não há diferença. Só o tempo separa essas duas realidades tão semelhantes. O que se pode fazer em 30 anos? Muito. Ou nada.

Ah, o homem na campanha da Folha de São Paulo era Hitler.

Da mesma maneira que é preciso se lembrar dos horrores do Holocausto para que nunca mais tenhamos algo parecido, é necessário estimular a memória em relação ao que (não) foi feito no Brasil. 

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